A luta e resistência das mulheres indígenas do Pará


A resistência é a principal característica da população indígena, não por opção, mas por sobrevivência, um povo sacrificado desde o início da colonização, quando viviam em condições escravas, sendo obrigados a trabalhar de graça e sem direito de viver a própria cultura, saberes, costumes e até mesmo de usar a língua materna, parte essencial da identidade indigenista. O histórico é de luta e luto, marcado por derramamentos de sangue e privação de liberdade.


Em pleno século XXI, em um mundo moderno e “evoluído”, as lutas continuam, algumas delas não mudaram, um exemplo, é a luta pelo direito de ter direito de permanecer nas próprias terras, lugar de morada dos indígenas, que na verdade são os legítimos descobridores do Brasil. País esse, que invalida a luta de mais de 500 anos, um tempo surreal, para quem é deixado à própria sorte, vítima de uma política criminosa, que deixa a vida indígena sob forte ameaça de apagamento.


No Brasil, segundo o Censo de 2010, são 818 mil indígenas, sendo 502 mil moradores da zona rural e 315 mil nas zonas urbanas. As lideranças indígenas usam além das pautas coletivas, como a demarcação das terras, quem está nas cidades vive outra questão: o estereótipo sobre o que é "ser indígena", sobretudo, dentro de uma sociedade racista e machista.


Conheça algumas mulheres que fazem a resistência indígena no Pará:


Nice Tupinambá


Nice Tupinambá

A jornalista indígena e coordenadora do instituto Nossa voz. usa as redes sociais para denunciar os ataques que os povos originários e a floresta amazônica sofrem diariamente com o ataque em seus territórios. Ela foi a grande porta voz do assassinato de Isac Tembé, liderança jovem do povo Tembé. Por conta de suas denúncias e atuação no caso, a jornalista conseguiu mudar o rumo da narrativa do qual colocava o indígena como um infrator que estava em terras privadas, para uma investigação criminal sobre a morte do parente que corre hoje em segredo de justiça.



Juma Xipaya



Juma Xipaya

Aos 30 anos de idade, Juma é uma das principais vozes na luta contra os impactos provocados pela construção da Usina de Belo Monte, mas antes mesmo de completar a maioridade, a voz de Xipaya já ecoava e resistia na guerra que é ser indígena no Brasil. O perigo que acompanha a trajetória da jovem liderança não a impediu de gritar por justiça, sua força e coragem fizeram com que os moradores de Tukumã, em 2015, escolhessem como cacica da aldeia, tornando-se aos 24 anos, a primeira mulher à frente da comunidade Xipaya.


Leusa Munduruku


Leusa Munduruku

Maria Leusa Munduruku, é nascida na aldeia Missão Cururu, no alto rio Tapajós, na Terra Indígena Munduruku. É mãe de cinco filhos, vó de um neto, casada, uma guerreira e defensora do território e da vida do povo Munduruku.


Ameaçada há anos por sustentar posição de resistência à mineração ilegal em seu território, ela tem sentido as intimidações recrudescerem nos últimos meses devido à escalada do conflito com os garimpeiros, mas sem retroceder.


Mesmo tendo sua casa incendiada, ela continua não se intimidando e resistindo.


Tainá Marajoara





Cozinheira, realizadora cultural e conselheira nacional de Cultura Alimentar, a paraense Tainá Marajoara, 34, anos, descendente do povo Aruãn marajoara, soma em sua trajetória episódios em defesa da alimentação saudável no país.


Tainá Marajoara, a tarefa de legitimar a alimentação brasileira como cultura nacional.


Depois de ampla mobilização junto aos povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e às lideranças de patrimônio imaterial durante as conferências regionais de cultura que aconteceram nos anos de 2012 e 2013, conseguiram firmar a legitimação do conceito de cultura alimentar pelo Governo Federal através da Moção 094/2013 aprovada na Conferência Nacional de Cultura.


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