Alter do Chão: Garimpo cresce, lama escurece e polui águas no "Caribe Amazônico"


Faixa de areia separa águas barrentas e claras no balneário turístico de Alter do Chão // Foto:reprodução

As belíssimas águas cristalinas do município de Alter do Chão, na região do Tapajós, no Pará, são mundialmente conhecidas pelos turistas, como um dos locais mais tranquilos, e ricos, através dos seus inúmeros requisitos que encantam os olhos de quem prestigia. No último réveillon, quem foi até o local, não gostou e nada do que viu. A praia que já ficou conhecida como “Caribe Amazônico”, hoje encontra-se cheia de lama, e lixo.


Desde dezembro, um fluxo de águas turvas e barrentas vem transformando o aspecto do rio, o que é consequência mineração de ouro na região. Por conta disso, os moradores, e as agências de turismo, que cotidianamente levam centenas de pessoas ao local, temem prejuízos à principal atividade econômica do distrito e à saúde de quem do moradores.


O garimpo vem se fortalecendo com o governo Bolsonaro e Mourão, que sempre atuou a serviço dos lucros dos capitalistas, que vê nossos biomas e recursos naturais como fontes de lucro a serem exploradas legal ou ilegalmente.


De acordo com uma pesquisa realizada pela Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará), a população de Santarém apresenta altos níveis de mercúrio no sangue. E tudo indica que pode ser um impacto da mineração ilegal no Tapajós.


Segundo moradores, a mudança na água pode ser uma consequência do aumento do garimpo no curso médio do Tapajós, o maior polo de mineração ilegal no Brasil. O garimpo contamina os rios com mercúrio, podendo causar, diversos e graves tipos de doenças neurológicas nas pessoas.


O mercúrio causa danos ao sistema nervoso central e, em grande quantidade, pode levar à morte. A substância também prejudica coração, rins e fígado, e pode contaminar bebês através da placenta.


Em dezembro, a ONG Greenpeace divulgou o resultado de um monitoramento em rios que cruzam as terras indígenas Munduruku e Sai Cinza e desaguam no Tapajós. Segundo o levantamento, desde 2016, o garimpo ilegal destruiu 632 quilômetros de rios dentro desses territórios. O Greenpeace diz que o impacto equivale ao causado pelo rompimento da barragem em Mariana (MG), em 2015, quando 633 quilômetros do rio Doce foram afetados.


O garimpo a destruição ambiental, que tem consequências nefastas para os moradores locais dessas regiões, como os ribeirinhos e os povos indígenas, assim como toda a classe trabalhadora brasileira, é incentivada pelo governo genocida, que no ano passado cortou mais de 75% às verbas destinadas ao combate de desastres ambientais, dando carta branca ao agronegócio, à falta de licenciamento ambiental, ao mesmo tempo que conta com o apoio do Congresso, STF e governadores, tudo isso a serviço dos lucros dos capitalistas, que vê nossos biomas e recursos naturais como fontes de lucro a serem exploradas legal ou ilegalmente. Mas esses ataques não vêm de hoje, já que os governos federais e estaduais PTistas também fortaleceram o agronegócio e os lucros das grandes mineradoras.



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