Assassinato de indígena Isac Tembé completa um ano sem respostas




Em 12 de fevereiro do ano passado, foi assassinado o indígena Isac Tembé, de 24 anos, na região de Capitão Poço no Pará. Desde então indígenas Tembé e de outras etnias denunciam descaso na solução do crime. Um ano depois, sua família ainda clama por justiça, que segundo a investigação está recheada de inconsistências e omissões.


Isac foi assassinado com um tiro no peito enquanto caçava dentro da terra indígena de seu povo, a Terra Indígena Alto Rio Guamá (Tiarg). Os acusados do crime são policiais e ainda não responderam pela execução de Isac.


No dia do crime, Isac saiu da aldeia com um grupo de indígenas, para caçar e não retornou à sua casa. Ele foi morto depois de um ataque sem justificativa desferido por policiais militares.


Os Tembé-Theneteraha denunciam assassinato de Isac Tembé como parte da luta que trava pela terra tradicional e que a morte é a crônica de uma tragédia anunciada. O povo Tembé-Theneteraha sofre, de maneira recorrente, ameaças e ataques.


Andamento das investigações


A Comissão dos Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (CDHDC-Alepa), apresentou o Relatório e Recomendações - Caso Isac Tembé. O documento possui 28 páginas e apresenta uma análise sobre o contexto de conflitos e pressões sobre a Terra Indígena Alto do Rio Guamá, reconhecida através do Decreto nº 307 de março de 1945, porém, com demarcação final reconhecida apenas em 2010.


No documento aparece que há divergência temporal entre o horário relatado pelos policias no inquérito e a apresentação do cadáver de Isac Tembé permite concluir que o policial militar mais antigo presente no local deixou de cumprir seu dever de preservar o cenário do acontecimento e acionar imediatamente a polícia civil e a equipe da perícia cientifica.


Na última atualização, em janeiro deste ano, o crime está sendo tratado como homicídio simples, com motivação passional, e por isso deve ser encaminhado para a justiça comum.


Na próxima terça-feira (15), representação do povo Tembé-Theneteraha se encaminhará para o município de Paragominas para uma audiência com o procurador do Ministério Público Federal, para cobrar avanços na investigação e que se faça justiça.

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