Aumento de casos de Aids entre jovens de 13 a 25 anos no Brasil preocupa infectologistas


Testagem rápida para o HIV, sífilis, Hepatite B e Hepatite C, profilaxia pós-exposição sexual (PEP), diagnóstico e tratamento das outras ISTs.Imagem: Joyce Ferreira/Reprodução.

Na última quinta-feira,1, foi celebrado o dia Mundial de luta contra a AIDS, data comemorada pela ONU desde 1987 para pensar políticas públicas desenvolvidas em prol dos pacientes infectados e também na prevenção ao vírus HIV e em alusão a data, o médico Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento infectologia da UNESP (Universidade Estadual Paulista) diz que não avista, no médio prazo, uma cura definitiva ou uma vacina para combater o vírus.


Segundo o especialista, os avanços no tratamento foram grandes e hoje quem recebe um teste positivo de HIV pode ter a mesma expectativa de vida de quem não tem o vírus. A preocupação maior é o contágio entre jovens, que vem crescendo. O médico acompanha pacientes com HIV desde a descoberta do vírus no início dos anos 1980.


Testagem para HIV — Foto: Divulgação/Reprodução.

Alerta sobre aumento de casos entre jovens:

Se há muito o que comemorar diante de medicamentos mais potentes contra o vírus e menos agressivos ao organismo, há também um sinal de alerta diante do aumento no número de casos entre os mais jovens.


“Se nós observamos o número absoluto e a quantidade de casos novos de HIV, veremos que tanto em números absolutos quanto relativos, por 100 mil habitantes, está havendo no Brasil e no mundo uma queda contínua de casos. Mas se agente olhar a categoria por faixa etária, nós percebemos que nas faixas etárias entre 13 e 25 anos, principalmente, não existe queda, mas são contrário, aumento no número de casos novos, tanto em números absolutos quanto relativos nessas populações mais jovens”, diz.


O especialista cita dois fatores principais para entender o comportamento de jovens que não viram a morte de ídolos como Renato Russo, Cazuza e Fred Mercury.


“Primeiro que, hoje em dia, e ainda que seja assim, o HIV/AIDS não é considerado mais uma sentença de morte. E é realmente uma doença crônica tratável, mas não se pode banalizar essa informação e simplesmente ter um raciocínio muito simplista de que ‘ah, se eu pegar infecção pelo HIV, eu vou lá e me trato, e tá tudo bem’, como muitos jovens fazem. E um segundo ponto tem relação com uma característica da juventude chamada de onipotência. O jovem se julga acima de qualquer risco. Andar em alta velocidade com automóveis, ingestão de álcool e outras drogas. E isso também tem a ver com sexo. Ele acha que nunca vai acontecer com ele”, ressalta o infectologista.


É na Casa Dia que as pessoas reagentes ao vírus HIV têm acesso a consultas médicas, medicação e realização de exames. Tudo de forma gratuita. Imagem: Joyce Fereira/Reprodução.

A luta contra o vírus na capital paraense:

De acordo com a prefeitura de Belém atualmente, cerca de 14 mil pessoas que vivem com o vírus HIV em Belém estão cadastradas no sistema da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Delas, 10 mil estão em tratamento. Ao todo são dois centros de saúde municipais são referências na identificação e tratamento do HIV no município.


Um deles é o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), localizado no bairro da Campina. Outro é a Casa Dia, no bairro do Telégrafo, um centro de saúde especializado no tratamento de doenças infecciosas. É na Casa Dia que as pessoas reagentes ao vírus HIV têm acesso a consultas médicas, medicação e realização de exames. Tudo de forma gratuita.


Para atender esses pacientes, a Prefeitura de Belém conta com um aporte financeiro mensal, recebido do Ministério da Saúde, no valor de R$ 81.468,40, totalizando R$ 9.775.780,80 anuais. Os recursos são usados no desenvolvimento de ações de combate ao HIV/Aids no município.


A testagem é uma excelente ferramenta no combate ao HIV, explica o coordenador da Referência Técnica em IST HIV/Aids da Secretaria Municipal de Saúde, Edgar Barra. Imagem: João Gomes/Reprodução COMUS.

Testagem e prevenção:

Além do CTA, a população pode realizar o teste rápido para o HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidades de Pronto Atendimento (Upas) e nos Pronto Socorros Municipais.

A testagem é uma excelente ferramenta no combate ao HIV, como explica o coordenador da Referência Técnica em IST HIV/Aids da Secretaria Municipal de Saúde, Edgar Barra.

"O quando antes a pessoa buscar a testagem, mais cedo ela vai começar o tratamento, evitando, assim, os agravos do HIV e possíveis novas infecções. É isso que chamamos de diagnóstico precoce”, explica Edgar.

As unidades de saúde contam também com testes rápidos para o HIV, os quais podem ser retirados e feitos em casa. Esses testes podem ser para si ou para terceiros.

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