Briga de foice e martelo entre os senadores do Pará


Imagem: reprodução/Belém Notícias.

Geralmente no Senado Federal a pacificação e unidade do consenso são palavras recorrentes nas oratórias dos parlamentares no congresso nacional. No entanto, desde que a discussão da divisão do Pará voltou a ser pauta no senado, capitaneado pelos senadores Paulo Rocha (PT) e Zequinha Marinho (PSC), as reuniões entre os três senadores que representam o Pará no senado ficaram cada vez mais menos amistosas e festivas.


O experiente senador Jader Barbalho (MDB) já se pensionou públicamente contrário a divisão do Pará. Na opinião do senador Jader, “a divisão do Pará não é tema ser debatido pelo senado neste momento”. O Projeto de decreto n° 508/2019, que convoca plebiscito para a criação do Estado do Tapajós teve sua tramitação interrompido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último 17 de novembro, através de articulação e pedido de vista feito pelo próprio senador Jader Barbalho.


Nas conversas informais dos envolvidos na articulação da divisão do Pará, se relata muita insatisfação de Zequinha Marinho com jader. É bastante possível, e até provável que haja, nos próximos meses, mais notícias referentes desta má relação entre os senadores. Zequinha conta com apoio do petista Paulo Rocha pra viabilizar o andamento da divisão do Pará. Porém, a influência e prestigio de Jader com outros senadores é forte, tanto que o mdbista fez parar na CCJ a discussão de criação do Estado do Tapajós. Então, será que Zequinha Marinho mesmo com apoio de Paulo Rocha terá forças e astúcia para enfrentar o senador Jader Barbalho?


Imagem: Helder Barbalho(MDB) já se pronunciou públicamente contrário a divisão do Pará| Rodrigo Pinheiro / Agência Pará.

Na discussão sobre divisão do Pará, o atual governador do Estado já se pronunciou. De acordo Helder a possível criação do Estado do Tapajós, “É um projeto absolutamente inadequado, extemporâneo. Se no passado havia o sentimento de que não eram vistos, enxergados, isso ficou para trás. O sentimento hoje é outro: de um Pará mais forte e unido. Não precisa separar, é possível governar para todos”, argumenta o governador Helder Barbalho (MDB).


“Nesse momento estamos saindo de Belém para inaugurar obras na região Oeste do Estado, estrada em Prainha e ligação de Alenquer com a PA 254. Investimentos importantes de mais de R$ 30 milhões que se somam a um conjunto de obras e investimentos que estamos fazendo em toda a região”, afirmou o governador.


Helder lembrou que, historicamente, haviam sido pavimentados naquela região pouco mais de 88 quilômetros. “Porém, na atual gestão, em menos de três anos, já são quase 300 quilômetros de estradas, o que demonstra a presença cada vez maior do governo nesses municípios”, reforçou, ao derrubar o argumento do senador amazonense que quer dividir o Pará. Plínio Valério alegou que a população do oeste do Pará vive em “estado de abandono” pelo poder estadual.


Sobre sua proposta de governar para todo o Estado, o governador lembrou que, ao tomar posse, repetiu a cerimônia nas cidades polo das duas maiores regiões do Estado. “Desde que tomei posse, fiz um gesto de que nós governaríamos por todo o Pará. Fiz a cerimônia de posse em Belém, fiz em Santarém, para demonstrar o gesto com a região Oeste, e fiz em Marabá, para repetir o gesto de união com a região Sul e Sudeste”, acentuou. “Tenho feito nesses dois anos e onze meses uma rotina quase diária de visitar todos os municípios, todas as regiões, de fazer com que o Governo esteja presente para demonstrar que não precisa dividir, é possível governar para todos, e fazer um Pará unido”, concluiu.


Sobre o Plebicisto:

O tema plebiscito volta ao Pará 10 anos após a significativa derrota de duas propostas para dividir o Pará: os plebiscitos para criação dos estados do Carajás e do Tapajós. Ambas propostas foram rejeitadas por dois terços da população do Estado paraense. A nova proposta de divisão do Pará quer a criação do estado do Tapajós mediante desmembramento do território compreendido por 23 municípios situados a oeste do Pará, entre eles, Santarém.


O plebiscito é convocado mediante decreto legislativo, por proposta de um terço, no mínimo, dos membros que compõem qualquer das Casas do Congresso Nacional. A proposta defendida pelo senador amazonense foi apresentada em 2019 pelo então senador pelo Estado do Tocantins, Siqueira Campos.

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