Carnaval: Brasil já teve que adiar a folia em anos anteriores


Segundo a história, epidemia e luto foram motivos para remarcar a data.Imagens: Pilar Olivares/reprodução.

Com o surgimento variante ômicron e debate do cancelamento dos carnavais Brasil afora, 2022 não será o primeiro ano em que foliões terão que lidar com o adiamento da festa mais popular do país. O BN vai te contar um pouco mais das histírias de cancelamentos carnavalescos da nossa história ancional.


Em 1894, durante a presidência de Floriano Peixoto, o Carnaval foi transferido para o meio do ano devido aos riscos de epidemias de febre amarela e varíola. A população, no entanto, ignorou a medida e, naquele ano, houve dois carnavais.


Em 1912, a história se repetiu, com foliões se esbaldando no confete e serpentina em dois períodos. Dessa vez, o adiamento da festança se deu por causa da morte, faltando uma semana para o início da folia, do Barão do Rio Branco, então ministro das Relações Exteriores. Rio Branco era considerado um herói nacional da diplomacia pelo trabalho à frente de conflitos com países vizinhos por terras no norte e sul do Brasil.


Movimentos pediram o adiamento da festa, tradicionais clubes carnavalescos do Rio e de outras cidades do país adiaram a folia para abril em respeito à memória do Barão. Os foliões, no entanto, consideraram uma semana de luto por Rio Branco suficiente e não resistiram ao convite das ruas.


O historiador Luiz Antônio Simas afirma que a medida foi uma imposição do então presidente Hermes da Fonseca. Segundo Luiz Antonio Simas, jornais de época registram, inclusive, uma marchinha que satirizava a situação.


O historiador Luiz Antonio Simas avalia que o episódio do adiamento do carnaval de 1912 não tem paralelo com a situação atual da pandemia em que o país vive. O Barão do Rio Branco vinha de uma família influente na política do Império. Seu pai era o Visconde do Rio Branco, o primeiro-ministro de Dom Pedro II que coordenou a aprovação da Lei do Ventre Livre, de 1871.


Um dos grandes feitos do Barão do Rio Branco foi ter concluído o traçado das fronteiras do Brasil. Antes de ser ministro, apenas como diplomata, ele atuou nas arbitragens internacionais que garantiram ao país o oeste de Santa Catarina (disputado com a Argentina), em 1895, e a área que compreende o Amapá, Roraima e o norte do Pará e do Amazonas (disputada com a França), em 1900.



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