Conheça o Barcemonas, clube LGBTQIA+ símbolo de resistência no Futebol do Pará


Foto: Redes Sociais

O futebol não costuma ser dos espaços mais acolhedores para a comunidade LGBTQIA+. Gritos homofóbicos, piadas de cunho sexual e discriminação ainda fazem parte da triste realidade do esporte mais popular do planeta. Mas no dia 05 de abril, de 2010, nascia um time no bairro do Distrito industrial, em Ananindeua, que mudaria a forma do paraense ver seus conceitos sobre espaços no futebol.


O Barcemonas, que inicialmente recebeu o nome de “Malukinhas”, foi formado exclusivamente por homossexuais, a equipe nasceu com o intuito de lutar por mais espaço no esporte, e claro, se divertir!


Timidamente as reuniões aconteciam uma vez por semana para realizar aquela pelada marota de amigos. As disputas inicialmente eram realizadas contra times femininos.


Sabendo dos desafios que iriam enfrentar, o time ousou e começou a marcar jogos contra várias equipes femininas de outros bairros, de Ananindeua. Com um conjunto de coletes emprestado de um time vizinho, eles foram em busca do respeito e reconhecimento como equipe.


Barcemonas:


Em 2013, o clube viu que deveria mudar alguns padrões adotados, o primeiro foi a mudança de nome para outro com característica LGBTQAI+ e com a chegada do vice-presidente Artur, o time passou a se chamar Barcemonas, inspirado no gigante espanhol Barcelona.


Com o novo nome, o Barcermonas partiu para novos desafios, agora a equipe enfrentarias outros clubes LGBTQAI+ de todo o estado.


Com muita luta e sempre chutando o preconceito, o time conseguiu, em 2019, seu primeiro uniforme de cor Lilás e preto. Um marco para a equipe que tendo o presidente Leivy Sousa lutando muito para conseguir tal feito. Com a padronização e o aperfeiçoamento na gestão, o Barcemonas consolidava-se como referência no esporte.


Já no ano de 2020, a equipe comemorou a confecção de seu segundo uniforme oficial. Mas no mesmo ano viu a tristeza vir à beira dos gramados, após a morte de Evandson Barros, que fazia parte do elenco. E no ano seguinte, outra baixa na equipe, a trans Layra Vulcão, uma das fundadoras do clube também deixou este plano terreno.


Apesar das perdas, o Barcemonas seguiu viagem rumo ao sucesso. Nesta altura a equipe já era uma referência no futebol gay, uma das pioneiras da modalidade aqui no Pará, as conquistas e a popularidade do time só aumentam. Os convites para jogos no interior e na capital hoje são frequentes.


Barcemonas vence a Copa I Antifa de Futebol em Belém


O Barcemonas venceu a Copa I Antifa de Futebol em Belém. O torneio contou com a presença de quatro equipes, Frente 1914 - Paysandu Antifa, Remo Antifa, A Conquista do Pão e lógico, o Barcemonas Futebol Gay (equipe campeã).


Com o lema "Futebol para todes", o evento mostrou que disputar e torcer sem violência e preconceitos são práticas a serem cultivadas.


Foto: Divulgação do Evento

Cada vez mais presentes no futebol, as torcidas Antifas vem tomando conta dos estádios, torcendo de maneira consciente e combatendo as mais diversas manifestações preconceituosas dentro do futebol. O torneio serviu como uma espécie de confraternização, entre os membros das torcidas paraenses.


Já neste ano de 2022, a diretoria ousou novamente ao organiza a 1ª Copa Arco-íris, totalmente voltada para equipes LGBTQIA+. No entanto, antes do torneio, uma notícia ruim atingiu o grupo. Everton Silva faleceu dois dias antes da Copa. Sua morte deu mais força para o grupo reagir.


O Barcemonas completou 12 anos neste ano, são anos de inúmeras histórias, de altos e baixos, mas sempre com resistência, com luta, com perseverança, com suor e sobretudo, com muita fé.







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