IBGE não quer incluir questões de orientação sexual e ameaça cancelar censo


Foto: (Divulgação / IBGE)

Em novo comunicado publicado nesta sexta-feira (09), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) alega que "não é possível incluir no questionário perguntas sobre 'orientação sexual/identidade de gênero'" e que, se tiver de incluí-las, adiará o Censo 2022, "como única alternativa possível".


A manifestação é em resposta a decisão da Justiça Federal do Acre, determinada na última sexta (03). Segundo o juiz Herley da Luz Brasil, da 2.ª Vara Federal Cível e Criminal do Acre, que atendeu ao pedido do Ministério Público Federal (MPF). "A omissão que o Estado brasileiro, historicamente, tem usado em desfavor da população LGBTQIA+ é relevante e precisa ser corrigida”, escreveu o juiz, na decisão. “Ignorando-os, o Brasil não se volta às pessoas LGBTQIA+ com o aparato estatal que garante, minimamente, dignidade. Nega-se até mesmo a própria personalidade dessas pessoas.”


A coleta do Censo Demográfico está prevista para ter início em 1º de agosto. Mais de 200 mil recenseadores estão sendo recrutados e treinados para fazer o levantamento de informações em todos os cerca de 76 milhões de domicílios do País.


Em 2021, o Orçamento federal não trouxe os recursos necessários para a condução do Censo, que acabou cancelado novamente, mas desta vez sob uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de que ocorresse em 2022. Dois concursos públicos para contratação de mais de 200 mil trabalhadores temporários tiveram que ser cancelados.


Segundo a nota do IBGE, a medida da Justiça pode resultar em impactos financeiros para o Instituto e qualitativos para as respostas ao questionário - já que a alteração dos sistemas do Censo, "põe em risco considerável toda a operação censitária". O comunicado afirma que o aumento de custos de recursos federais pode chegar em cerca de R$ 2,3 bilhões aos cofres públicos.


O comunicado diz, ainda, considerar que o pedido é baseado em boas intenções, mas reafirma ser irresponsabilidade atendê-lo. “Seria irresponsabilidade arriscar a integridade do Censo Demográfico enquanto principal pesquisa do país, ainda que por iniciativa inspirada em legítimas causas e boas intenções”, diz.


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