Manguezal, da lama à solução: Solo dos manguezais tem o maior estoque de carbono do Brasil


Foto/reprodução Google


O manguezal é considerado um dos ecossistemas mais produtivos do planeta, ainda tem a capacidade de armazenar carbono. Isso porque seu solo é rico em material orgânico e inorgânico, acumulando mais carbono que a maioria das florestas tropicais.


Um estudo realizado por pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos demonstrou que, na Amazônia, cada hectare de manguezal contém duas vezes mais carbono que a mesma área de floresta equatorial. Se considerarmos outros ecossistemas, no Nordeste um hectare de manguezal chega a armazenar oito vezes mais carbono do que um hectare de vegetação da Caatinga. O Brasil possui manguezais em quase toda a sua costa, do Amapá até Santa Catarina.


O levantamento inédito descobriu que os manguezais da costa brasileira armazenam até 4,3 vezes mais carbono nos primeiros 100 centímetros de solo quando comparados a outros biomas vegetados no país, incluindo a Amazônia. Em relação à biomassa, que inclui as raízes e a vegetação acima do solo, o mangue é o segundo em estoque, atrás apenas da Floresta Amazônica.


Os manguezais armazenam o carbono tanto pela própria vegetação quanto aquele que vem de áreas florestais próximas, como a restinga e a Mata Atlântica, além daquele proveniente das águas dos estuários.


Apesar desse potencial de estoque, os manguezais brasileiros não estão incluídos em áreas de proteção citadas como prioritárias para conservação nas metas apresentadas pelo Brasil no Acordo de Paris.



Muito se fala sobre o papel fundamental das florestas tropicais, e sobretudo, da maior delas no planeta, a amazônica, no armazenamento de dióxido de carbono (CO2), apontado como um dos principais gases de efeito estufa responsável pelo aquecimento global. Contudo, há outro ecossistema que consegue estocar uma quantidade muito maior de carbono por hectare: os manguezais.


A capacidade desses ecossistemas costeiros de armazenar grandes quantidades de carbono já era de conhecimento prévio da ciência. Entretanto, poucos países possuem uma estimativa real desse potencial e de como ele pode ser usado no mercado de compra e venda de carbono.


Ameaças aos Manguezais


Entre as principais ameaças à conservação dos manguezais estão a carcinicultura (produção de camarão em tanques dentro desses ecossistemas costeiros), a agropecuária, a erosão, a especulação imobiliária no litoral brasileiro e as mudanças climáticas.


Mas, em 2020, veio do próprio Governo Federal a maior ameaça dos últimos anos sobre a preservação dos mangues. Naquele ano, o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tentou acabar com duas resoluções que protegiam manguezais e restingas. Após análise, o Supremo Tribunal Federal declarou a medida inconstitucional e reestabeleceu as normas até então em vigor.


Para que continuem sendo preservados, esses ecossistemas de transição entre os ambientes terrestre e marinho, que são um berçário importantíssimo para diversas espécies e ainda fonte de renda para comunidades locais, necessitam não somente serem mais fiscalizados, mas também mais estudados.




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