Nice Tupinambá lança pré-candidatura à Deputada Federal aumentando as forças indígenas em 2022


Foto: Nice Tupinambá

Nice Tupinambá é a primeira jornalista indígena do Pará e também a primeira candidatura de mulher indígena do Estado. Atua nas denúncias de crimes contra a Amazônia e seus povos e por esse ativismo através da profissão já recebeu algumas ameaças, mas que isso não fará ela recuar da luta em defesa da natureza e da vida.


Chegou a vez das mulheres originárias da Amazônia paraense. Chegou a hora de povoar a política com a cara indígena, negra, ribeirinha e trabalhadora do nosso povo. Vamos ecoar as nossas vozes em favor da vida em comunhão com a natureza e contra a política de destruição da Amazônia e de seus povos. É com esse chamado ancestral que a jornalista indígena, Nice Tupinambá lança sua pré-candidatura à Deputada Federal pelo Psol no estado do Pará. Mesmo as mulheres representando 52,35% do eleitorado brasileiro, essa supremacia feminina nas urnas não se traduz em paridade no resultado das apurações.


Nas eleições municipais de 2020, por exemplo, elas representaram apenas 33,6% das candidaturas para as Câmaras de Vereadores e Prefeituras dos 5.570 municípios brasileiros, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ainda assim, a quantidade de mulheres candidatas nessas eleições foi superior em relação às anteriores: foram 31,9% em 2016 e 31,5% em 2012. Quando falamos em candidaturas indígenas este número é ainda menor, Em 2020, as candidaturas foram de 27%, alçando o patamar de 2,177 mil candidatos homens e mulheres, ou seja, 462 a mais que em 2016, sendo 39 candidatos a prefeito, 73 a vice-prefeito e 2.065 para vereador, representando um total de 0,4% das candidaturas, segundo dados do TSE, números ainda incipientes na implementação de uma representatividade efetiva.


Mas este ano iremos aldear a política, nada sobre nós sem nós. Ocupar a política é ir para onde a nossa vida está sendo decidida numa canetada. Não é sobre mim. É sobre os que vieram antes de mim. É por Chico Mendes, Dorith Stang,  Isac Tembé, Dilma, Zé do Lago, Dom e Bruno e tantos outros que tombaram corajosamente lutando. É por isso que atendi ao chamado dos meus ancestrais, que sempre me conduziram nessa caminhada. E acompanhada de tantas outras e outros que enxergam em mim uma guerreira da Amazônia preparada e forjada na batalha, para conduzir o nosso povo. Então é preciso olhar para o futuro, afirmando no presente nossos direitos à saúde, educação, trabalho, saneamento, cultura e justiça ambiental, ou seja: vida digna para todas e todos. A política será território indígena sim!


Serviço: Local: Insano Marina Club – Rua São Boaventura, 286 – cidade velha Hora: 16h Data: 25 de Junho (sábado)

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