Nova espécie de tartaruga de água doce é descoberta por pesquisador em Juruti, no oeste do Pará


Fábio Cunha é um apaixonado em pesquisas sobre espécies de tartarugas — Foto: Reprodução/Instagram Fábio Cunha

Poças temporárias formadas pelo acúmulo de água da chuva. Foi nesse ambiente improvável que o biólogo Fábio Cunha, especialista em quelônios, fez sua maior descoberta. O doutorando em Ecologia Aquática e Pesca, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), entra para o seleto grupo de cientistas que se dedicam à pesquisa integral sobre quelônios. A descoberta ocorreu em 2018, mas somente agora foi catalogada por conta do processo burocrático.


A Mesoclemmys jurutiensis foi batizada em homenagem à cidade de Juruti, localizada no oeste do Estado do Pará. O biólogo Fábio Andrew Cunha descobriu a nova espécie de tartaruga de água doce da Amazônia brasileira através de uma pesquisa que durou três anos. O estudo foi realizado em conjunto com outros pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), entre eles a professora Iracilda Sampaio.


Intitulado 'A New Species of Amazon Freshwater Toad-headed Turtle in the Genus Mesoclemmys (Testudines: Pleurodira: Chelidae) from Brazil' (Uma nova espécie de tartaruga cabeça de sapo do gênero Mesoclemmys do Brasil) o trabalho de pesquisa envolveu análises das características genéticas do DNA de animais que foram capturados.


Nome científico da nova espécie de tartaruga de água doce foi em homenagem ao local onde ela é encontrada — Foto: Fábio Cunha/Reprodução/Instagram

De acordo com Fábio Cunha, a espécie recém descoberta é de médio porte, completamente diferente das outras espécies de tartarugas da Amazônia. Ela possui carapaça em tons de coloração vermelha e o plastrão amarelo queimado. Possui cabeça triangular, completamente preta e os grandes olhos próximo às narinas.


Outra característica da Mesoclemmys jurutiensis é que ela vive em poças formadas por águas da chuva dentro da floresta tensa. As pesquisas também mostraram que ela se alimenta de girinos (filhotes de sapos) e pequenos insetos aquáticos.


Com essa descoberta, o Brasil passa a ter 33 espécies de tartarugas descritas.


Animal desacelera o metabolismo no período do verão amazônico. (Arquivo pessoal/ Fábio Cunha)

O primeiro nome Mesoclemmys é o gênero em que a tartaruga recém descoberta está inserida, de acordo com as regras internacionais de nomenclatura da zoologia (ciência que estuda os animais), enquanto que o segundo nome, chamado de epíteto específico, faz referência a alguma característica da espécie ou do lugar onde foi encontrada, como é o caso da Mesoclemmys jurutiensis.


Cunha escolheu Juruti, a pequena cidade paraense, pois é o local onde foi encontrada a maior parte dos animais. Há também um registro na cidade de Aveiro, também no oeste do Pará.

A nova espécie de tartaruga de água doce da Amazônia brasileira foi recentemente descrita na revista internacional Chelonian Conservation and Biology.


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